Monitorização a ser feita junto a vários estabelecimentos de ensino revela valores, em média, mil vezes abaixo do máximo recomendado pelas organizações de saúde.
As sondas instaladas em escolas da capital que se encontram próximas de antenas de telemóveis, para medir as radiações electromagnéticas, estão, para já, a apurar valores "inofensivos" para a saúde, garante o Instituto de Telecomunicações.
Nas cinco escolas onde já estão a ser feitas as medições diárias - EB1 O Leão de Arroios, Nº 9 da Rua Cassiano Branco, EB1 do Castelo e de S. José ou na EB1 Frei Luís de Sousa - qualquer dos valores até gora apurado está mil vezes abaixo do limite mais restritivo imposto pelas organizações mundiais de saúde. O mesmo se passa com a sonda que foi instalada nos Paços do Concelho.
"Os valores que estamos a apurar estão dentro do esperado. Há uma grande margem de conforto que mostra que não há motivo para preocupações", sublinha ao JN Luís Correia, professor do Instituto Superior Técnico, investigador do Instituto de Telecomunicações e coordenador do projecto MonIT, que tem como objectivo medir o campo electromagnético em 14 escolas básicas e jardins de infância de vários pontos da cidade de Lisboa.
Na base do projecto que decorre na capital esteve a celebração de um protocolo entre a Câmara e o Instituto das Telecomunicações. A ideia era esclarecer dúvidas, boatos e mitos relativamente às radiações provenientes das antenas das operadoras móveis, que, em 2002, incendiaram a capital e o país, tomando a forma de mani
ções em muitas escolas para exigir a retirada das antenas, por se suspeitar que estariam na origem de várias doenças, entre as quais o cancro."Temos feito medições por todo o país e, 95% das radiações que encontramos estão, pelo menos, cem vezes abaixo do limite mais restritivo", reforça Luís Correia, acrescentando que além do carácter científico, o projecto MonIT também tem o objectivo de informar as pessoas.
Em Lisboa, ainda há sondas por instalar, mas o investigador garante que serão todas colocadas nos próximos dias. Acredita, no entanto, que vão mostrar cenários idênticos aos já mostrados pelas sondas que chegaram primeiro à capital.
Como o projecto está a percorrer o país e as sondas andam numa espécie de digressão. As que foram recentemente desinstaladas em Gavião e Ourique estão em manutenção e virão, depois, para Lisboa. "Têm sido vários os municípios interessados no projecto. Há uma grande procura", revela Luís Correia, acrescentando que há quase uma lista de espera.
Em Fevereiro, deverão acabar as medições nas escolas da capital, altura em que serão elaborados balanços e relatórios para entregar à Câmara de Lisboa e diversas outras entidades, entre as quais os centros de saúde.
O investigador explica que a radiação electromagnética está naturalmente no universo. Diz que o sol, por exemplo, é a fonte (natural) de radiação electromagnética mais intensa a que estamos expostos. As tecnologias criadas artificialmente pelo homem, como as antenas das operadoras móveis, as linhas de alta tensão ou os aparelhos eléctricos são outras fontes de radiações.
Para ajudar a desmistificar algumas ideias e esclarecer, foi criada uma página na Internet com informação sobre as radiações electromagnéticas.
Através do endereço monit.it.pt, é possível acompanhar as medições que estão a ser feitas em Lisboa e no país. Responde ainda a um vasto leque de perguntas frequentes sobre as radiações e os seus efeitos na saúde.



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